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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Protestos em São Paulo - O que a mídia comprada não mostra!

A intenção desse post não é dizer o que é certo e errado, dizer como um ou outro lado deve agir, mas só mostrar o outro lado da moeda, aquele que os noticiários na TV que falam dos “vândalos” não vão mostrar, aquele diferente do que a tendenciosa Veja mostra, dos policias heróis que salvam a cidade em perigo.

Bem, na TV  você não vai ver:

01. A matéria do jornalista Elio Gaspari (O Globo) que afirma que a Polícia começou o confronto armado.

Artigo aqui.

02. E se preferir uma segunda opinião para acreditar, a jornalista da Band que confirma que a polícia começou a violência.


03. Quando os policias começaram a atirar na imprensa, mesmo ela se identificando:

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Fonte do vídeo: PortaldoPSTU

04. A conversa presenciada em plena Avenida Paulista (na manifestação de terça) POR MIM, QUE VOS ESCREVO, ao sair do Conjunto Nacional em direção à minha casa:


05. O policial que foi filmado quebrando O P-R-Ó-P-R-I-O vidro da viatura.

É isso mesmo que vocês leram e viram. O policial quebrou o vidro da viatura dele para culpar manifestantes.
Fonte do vídeo: Senhor VeTudo

06. As bombas de gás lacrimogênio vencidas há 3 ANOS, que como o próprio fabricante diz: OFERECEM PERIGO SE FORA DA VALIDADE.



07. O jornalista da Carta Capital que foi preso porque estava carregando vinagre na mochila. VI-NA-GRE. É PROIBIDO CARREGAR VINAGRE AGORA?

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Fonte do vídeo: tv Carta


08. Quando a Tropa de Choque jogou bombas e atirou em manifestantes na calçada por gritarem “SEM VIOLÊNCIA”.

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Fonte do vídeo: Facebook


09. Aliás, gritar “SEM VIOLÊNCIA” já era motivo para você levar tiro, mesmo que estivesse na calçada (sem atrapalhar o trânsito) e sem destruir nem agredir fisicamente nada nem ninguém:

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Fonte: UOL


10. Esse perigoso manifestante que tem uma ameaçadora flor. Vai que é uma flor bomba né minha gente?



11. O promotor esquentadinho preso no trânsito que disse que se os manifestantes que estavam atrapalhando o dia dele fossem mortos, ele arquivaria o inquérito policial:

Diz ele que estava apenas extravasando.

12. A repórter da Folha, Giuliana Vallone, que foi atingida no olho.


Trabalhando, e tentando ajudar pessoas perdidas na rua, Giuliana levou um tiro na cara.


13. O policial que disse que ia dar voz de prisão a QUEM USASSE MÁSCARA, E IRRITADINHO,  RESOLVEU DISPERSAR O PESSOAL COM SPRAY DE PIMENTA. Será que ele tinha o direito de fazer isso? Rs.

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Fonte do vídeo: liveleak.com


14. Os relatos de pessoas que viram policias arrastando pessoas feridas para fora do hospital.


15. O relato de um rapaz que foi ajudar um garoto e tomou tiro.


16. Outros relatos de abuso de poder da polícia como esse e esse.


17. O casal que apanhou às 22h40 (bem depois da manifestação), porque tinham participado dela e agora estavam em um bar.

É isso mesmo, olha aqui a matéria.

18. A professora que não tinha nada a ver com a manifestação, só estava passando, e ao tentar passar longe da confusão levou um tiro na cara.

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Fonte do vídeo: UOL


19. A excelente pontaria da Tropa de Choque. (PS: os manifestantes que tentaram ajudar o senhor também levaram tiro!)



20. O rapaz que mostra que os jovens cansaram de protestar do sofá.



21. O jornalista Pedro Ribeiro, perigosíssimo hein, que precisou apanhar e ser contido por SETE policias.

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Fonte do vídeo: Dalila Ferreira


22. RESUMINDO: jornalistas e cinegrafistas se dando muito mal. Porque essas pessoas que estão ali só para trabalhar, e cobrir a manifestação, representam um grande perigo para a sociedade, hein?



23. E esse tapa de luva em todo mundo que reclama que tá fazendo barulho na hora da novela.



24. E se você não leu esse texto ainda, precisa saber que não são só sobre os 20 centavos as manifestações.

    Ontem eu acordei e, como faço todos os dias quando começo a trabalhar, abri os principais sites de notícias. A manchete do G1 era Fiança para presos em ato contra tarifa será de R$ 20 mil, diz secretaria, e aí eu entendi: as manifestações estavam incomodando. Muito. A fiança só está cara assim porque o comando da PM (no caso, o governador) e a prefeitura possivelmente se deram conta de que:
    1. a manifestação é só a gota d’água pra uma onda de insatisfação generalizada dos paulistanos, não só com o preço e a ineficiência do transporte público, mas com a luta diária que é morar em SP: preços altíssimos, violência, lazer restrito a quem tem dinheiro, trânsito infernal, transporte público precário.
    2. a manifestação cresceu em número porque ali não há só estudantes: há todo tipo de pessoa comum que, como a maioria dos paulistanos, está cansado de não ser representado adequadamente pelos seus governantes.
    3. se a fiança é de R$20 mil e eles estão tentando gerar o pânico, usando técnicas de regimes ditatoriais (inflitrando agentes disfarçados no movimento e informando as pessoas sobre isso, pra gerar um clima de desconfiança generalizada), eles estão assustados. E se eles estão assustados, significa que estamos fazendo a coisa certa.
    Isso é meio óbvio, né? Tem algumas outras obviedades: que a polícia é truculenta e tem interesse em incitar violência e quebra-quebra pra que os jornais falem sobre o vandalismo dos manifestantes; que alguns manifestantes, uma parcela mínima, passa do limite e causa violência, mas que isso é natural em uma multidão de 10 mil pessoas; que o trânsito já é uma merda todo dia e que se mais um dia ele vai ficar uma merda, seria legal que você tolerasse isso, porque tem gente tentando mudar o país; e finalmente, que não se trata mais de reclamar de um aumento por causa de 20 centavos.
    Isso é tão óbvio pra mim daqui de fora e eu até acho estranho que não seja pra algumas pessoas aí no meio do bolo. Nenhum argumento (“eles quebraram tudo então perderam a razão”, “polícia tem mesmo que proteger patrimônio público”, “vagabundo não tem direito de parar o trânsito”, “20 centavos é um aumento justo em três anos”, “esses filhinhos de papai têm dinheiro pra pagar a mais na passagem, do que estão reclamando?”) invalida uma luta por um país mais decente. Não se trata de 20 centavos.
    A verdade é que qualquer pessoa que não concorde, qualquer uma, JAMAIS teve que pegar um trem lotado por anos seguidos às 18h. Eu coloco minha mão no fogo. Se teve, tem a memória muito curta. Ninguém está defendendo a violência de alguns manifestantes, também: defendemos a legitimação da manifestação mesmo com alguns membros desnecessariamente violentos, porque acreditamos que essa seja a minoria. E a verdade é que não se trata mais de 20 centavos. O aumento podia ser de 5 centavos. De 2, que seja. Não se trata disso, não é por isso que as pessoas estão na rua, e se você não percebe, te falta sensibilidade, falta civilidade, e falta viver em SP de verdade – sair do seu carro e do metrozinho que você pega na linha verde e ir morar no subúrbio. Ir viver em outra cidade pra que isso tê dê perspectiva. Ou então falta assistir o vídeo do Caetano lá em cima.
    Tomar as ruas de SP em protesto, nesse momento, se trata de gente que não aguenta mais ter que lutar pra sobreviver todo dia em uma cidade que cada vez impõe mais obstáculos pra isso.
    Aí eu publiquei esse texto no Facebook. Antes de clicar no ‘enviar’, eu quase não cliquei e postei aqui. Mas desisti quando me dei conta que no mural do Facebook ele alcançaria muito mais gente:
    Eu fico meio assim de falar estando longe, porque é fácil falar estando longe. Mas estar longe também dá uma perspectiva boa, mais ampla, então eu vou falar.
    A fiança para os detidos na manifestação é de R$20 mil reais. Tem gente que atropela e mata, paga 5 a 10 mil reais e sai andando da delegacia.
    Eles estão se assustando. E sabe por que? Porque todo mundo sabe que quem foi pra Paulista ontem não está lá por causa da passagem de ônibus – como os manifestantes na Turquia não estão lá por causa da construção de um parque. Foi só a gota d’água.
    O lance é que ninguém aguenta mais. Ninguém aguenta mais ler que a desigualdade social diminuiu e o Brasil vai ser a maior economia do mundo em 20 anos, e não conseguir sair de casa por medo de tomar um tiro na cabeça sem motivo. SP, especificamente, está sufocando todo mundo. É uma cidade violenta em todos os aspectos – não tô falando só de gente que te assalta e te sequestra, mas da violência que é esse transporte público absurdo, da violência que são esses preços absurdos, da violência que é a ausência de opções de lazer baratas ou gratuitas pra todas as classes, da violência que é ter que atravessar a cidade pra trabalhar, da violência que é o trânsito, todos os dias.
    Viver em SP é uma batalha diária, mesmo. Só percebe quem vive uma outra vida. A gente fica tão imerso em todos os esforços que tem que fazer, diariamente, pra checar vivo e íntegro em casa no fim do dia, que não percebe o quão extenuante isso é. O quanto isso acaba com a nossa saúde mental, com a nossa dignidade, com os nossos valores do que é realmente importante na vida. Eu só percebi quando saí daí e vi que outra vida era possível mesmo em uma cidade grande.
    Aliás, era isso que eu queria dizer: outra vida é possível. E se 5% das 10 mil pessoas que estiveram na rua ontem são vândalos, bom, eu acho que é preço pequeno a se pagar perto do resto, bem intencionado, que só não aguenta mais ser massacrado todos os dias e viu o aumento da passagem de ônibus como a gota d’água.
    O que eles querem é que você pense que quem está na rua é meia-dúzia de vândalos vagabundos. Molecada que não tem o que fazer, gente perigosa que precisa pagar VINTE MIL REAIS de fiança pra sair cadeia. Eles querem muito que você acredite nisso. Você sabe que não: que tinha todo tipo de gente lá. Você sabe que tá todo mundo tão puto quanto você tá. Que, como você, ninguém aguenta mais nem um segundo de conversa fiada dos nossos governantes, e que estamos tão no limite que nós, o povo apático, estamos indo pra rua (eu não estou, mas enfim) de tão putos.
    Uma vez só, tenha em mente que, se tem alguém na TV tentando te convencer de algo, você deveria acreditar justamente no contrário.
    E daí foi um show de compartilhamentos, o post virou um espaço equivalente a campo de comentários em sites de notícias e alguém até postou meu comentário em um post do Papo de Homem – com meus créditos, como se fosse eu, o que achei sensacional. Vi até meu texto sendo creditado a outras pessoas pelo Facebook (Alô Clarice Lispector, estou chegando lá).
    Bom, ontem eu li muito sobre tudo o que aconteceu. Pra quem, ingenuamente, ainda está em dúvida sobre que lado tomar, eu sugiro algumas leituras:
    Contra o aumento das tarifas de ônibus: o protesto que eu não vi pela TV, um relato sobre alguém que estava no protesto e viu os dois lados da manifestação: o da polícia truculenta e da polícia gentil, e o dos manifestantes violentos e o dos felizes;
    Vandalismo por direito, sobre como a defesa da “não-violência” interessa ao poder;
    Jovens vão às ruas e nos mostram que desaprendemos a sonhar, sobre porque tantas pessoas se incomodam com movimentos como esse;
    Não é porque não saiu na TV que não aconteceu, um tumblr com depoimentos de gente que estava na passeata;
    A gota que faltava, do Alexandre Versignassi, sobre como a inflação desencadeou os protestos;
    No YouTube, um vídeo com uma matéria jornalística que fez uma cobertura que eu considerei a mais imparcial possível, tentando reportar o que viu pelo caminho de maneira direta;
    Também no YouTube, um vídeo dos stormtroopers policiais espancando um jornalista, o Pedro Ribeiro Nogueira, de maneira covarde e sem motivo aparente;
    E se nada disso te ajudar a mostrar a verdade pra algumas pessoas, mande o vídeo definitivo de Caetano Veloso sobre a burrice, aquele lá de cima. Caetano aprovaria.

Concluindo:

É triste ver a polícia exercendo esse abuso de poder com tanta falta de preparo em manifestações populares. Mas nos resta vibrar, pois apesar de estarmos vivendo uma época em que as forças armadas agem de forma desordenada e ilegal, estamos vivendo a era da informação, na qual nós blogueiros estamos aqui para espalhar a notícia para o mundo, época em que qualquer pessoa é um reporter, basta sacar um celular. A informação não é mais unilateral, ninguém precisa engolir os absurdos da Veja ou de qualquer outro veículo que se recusa a dar voz aos dois lados, que não legitima o poder da população por lobby e interesses políticos de poucos. Acabam virando motivo de chacota ao tentarem editar uma matéria que todo mundo sabe que foi diferente.

Quanto mais os policiais agem de forma indevida, mais a população vai se revoltar. E mais ainda virá pela frente.

Fonte da matéria: melhorquebacon.com



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